Thor (2011)

Thor é talvez o filme mais diferente da Marvel, mas nem por isso o espectador vai ser pego de surpresa. É mais uma aquela receita de bolo dos filmes dos heróis da editora. O bolo que todo mundo gosta. No final das contas, porém acabou me agradando mais do que o esperado, mas ainda deixa a impressão de um filme feito às pressas para complementar os membros que formarão Os Vingadores posteriormente, mesmo que seja cheio de detalhes e referências aos fãs. Referências que vão deixar os fãs mais atentos espumando pela boca.

Sendo muito detalhista nos cenários e nos figurinos, Thor narra o vaidoso primogênito do deus Odin que assumirá o trono, mas só pensa em guerra, poder e se vangloria do potencial do mjolnir. Essas suas manias de grandezas acabaram sendo o seu calcanhar de Aquiles e resulta em seu banimento de Asgard. Foi mais interessante os roteiristas usarem o pseudônimo Donald Blake como apenas um nome. Thor não precisa se prolongar muito na história, é enxuto o bastante para agradar maiorias e está ao lado de Homem de Ferro como o melhor filme dos membros d’Os Vingadores.

O elenco de peso conta com Chris Hemsworth (Star Trek) impagável na pele do personagem título, observe como é interessante vê-lo adaptando-se aos costumes da terra. Tom Tiddleston (Meia-noite em Paris) interpreta o meio-irmão malígno Loki e carrega a essência do personagem muito bem: o deus covarde e invejoso que é também inseguro e por isso acaba caindo no desgosto de alguns. Mas é isso que é Loki, o que acumula fracassos diante do irmão e nem por isso deixa de ser interessante ver o personagem na tela. Natalie Portman (Cisne Negro) está bem engraçadinha e só, até porque é uma personagem que não exige muito dela.

De resto, é bom frisar a trilha sonora, a direção de arte linda e detalhista junto aos figurinos que deixam Asgard um lugar que todos querem conhecer. Os encantos de Thor são muitos, a maioria, são visuais e é o que acaba impressionando mais na projeção. O filme acaba sendo o mais importante para a existência de Os Vingadores, pois é o filme do deus do trovão que introduz o vilão que os heróis irão infrentar juntos. No fim, os fãs estarão bem satisfeitos. IMDb

Homem de Ferro 2 (2010)

Em 2008, eu escrevia um texto sobre Homem de Ferro e estava impressionado com o rumo que os filmes da Marvel havia tomado com o filme de Jon Favreau. Era um projeto arriscado já que o personagem era pouco conhecido em relação aos outros da editora. Porém o filme funcionou muito bem, arrastou multidões, ergueu a carreira de Robert Downey Jr. em um ótimo desempenho do milionário Tony Stark. Passando-se dois anos após o primeiro filme, Jon Favreau reprisa a direção na nova franquia. É notável que a Marvel deu mais liberdade ao diretor e mais verba, mas algumas horas após a sessão de Homem de Ferro 2 são o suficiente para o filme sair da cabeça das pessoas. As idéias se organizam para a conclusão que esta sequência é uma pura enganação. Outro filme de super herói que entra para a lista de “Mesmas coisas de sempre”.

O que esperávamos que Homem de Ferro 2? Com o fim do primeiro tendo Tony Stark anunciando ser o dono e controlador da armadura o que se podia imaginar era uma exploração maior entre Tony Stark VS Governo, Homem de ferro VS População e Tony Stark VS Homem de Ferro. Quando Jon Fravreau tem a chance de mostrar uma capacidade desconhecida de trabalhar em dramas ele frisa o lado humorístico, o problema é que ele faz isso em excesso voltando a ser enxergado como o diretor que fazia comédias sem muito sucesso. A questão é que o filme poderia facilmente ser o blockbuster do ano, e trata de tantas coisas desnecessárias que nos perguntamos porque Jon Fravreau fez um trabalho tão inferior ao primeiro filme se ele tinha tantas tramas ao seu redor para aproveitá-las como por exemplo a luta contra o alcoolismo?

Quando me lembro de Tony Stark lembro também do quanto os autores usaram o personagem lutando contra esse vício. O álcool é o verdadeiro vilão para ele que deve vencer primeiro o ego para depois erradicar tal vício. No filme Fravreau não leva o tema a sério, faz piada e até cenas estúpidas com a de Stark bêbado vestindo a armadura, talvez a cena funcionasse noutro cenário. Nada que receba destaque ou atenção. A prioridade do diretor é mesmo a, digamos, “conversão” do egocêntrico para o humilde. O carisma de Robert Downey Jr. é tão grande que nem nos importamos sobre sua personalidade mesquinha.

Homem de Ferro 2 foi recheado por personagens novos, a maioria deles conhecidos pelas pessoas que acompanham as HQs do personagem. Ivan Vanko (Mickey Rourke) é um deles. Inicialmente temos um personagem interessante, mas chega a ser burrice dos roteiristas o fim que ele leva. O que deveria ser evitado para um personagem que poderia ser mais explorado futuramente. Entretanto parece que os responsáveis pelo script são pressionados pela produtora para colocar mais ação para ter mais e mais público. Bem, ação não falta, mas a montagem é tão porca que em cenas de voo, por exemplo, só é possível ver luzes em movimento e isso agride o filme até mesmo como produto, primordialmente, pois falta muito pra Homem de Ferro 2 ser considerado arte.

O filme vale a pena pela atuação de Downey Jr. que se entrega totalmente ao papel, mais até em relação ao primeiro. Ele fisga as pessoas de tal maneira que até deixamos de lado os defeitos do filme por um momento só para celebrar sua atuação. Os outros personagens estão ali só por estar, não apresentam nenhum interesse em fazer melhor, somente em desempenhar sua função mesmo. Não merecem nem ser comentados aqui. Fica a sensação de pessoas robotizadas, sem personalidade, profundidade ou realidade. Fica bem explícito o fato de que tudo ali foi feito por dinheiro e não por vontade, a dedicação que todos tinham no primeiro filme. Chega a ser triste que um personagem que começou tão bem nas telonas tenha decaído na qualidade.

E pra que um final daquele jeito? Com Mickey Rourke vivendo a mesma situação de Jeff Bridges no fim do primeiro filme? Ninguém pode cometer um erro duas vezes. Sábio foi Christopher Nolan que estudou todos os defeitos de Batman Begins e não os colocou em Batman – O Cavaleiro das Trevas. Jon Favreau não fez o dever de casa e talvez precise ter uma conversa com Nolan pra aprender a fazer sequências de qualidade. IMDb

O Incrível Hulk (2008)

O Incrível Hulk é um típico filme de verão. É exatamente uma HQ filmada do Gigante Esmeralda. Apesar do roteiro ter suas (muitas) falhas, Zak Penn e o próprio Edward Norton formam uma boa parceria. Existem falhas um tanto toleráveis, mas para alguns pode extremamente desagradável. O de sempre: o óbvio, a falta de ousadia; um conselho é pegar leve com a trama, já que o primeiro filme foi ignorado. Com elenco, diretor e argumentos diferentes para seguir com a história do Hulk.

O início no Brasil tem uma cena bem feita, mostrando inicialmente o Hulk apenas na penumbra. O recurso desperta curiosidade e até medo. Louis Leterrier não gosta de mostrar logo de cara as criaturas do filme e faz isso usando, às vezes, um estilo documental interessante.

A essência do personagem foi bem retratada por Norton. O que incomoda mais no longa é Liv Tyler que sussurra o filme inteiro. Os filmes da Marvel tem o objetivo único de agradar fãs e em O Incrível Hulk conseguiu tal façanha. Na visão crítica, é um filme mediano. Agora se você é fã ficará mais do que satisfeito com o longa. Pouco se importará com as falhas no roteiro e irá enlouquecer com o famoso “Hulk, smash”.

Não é louvável apontar o tempo inteiro os defeitos do filme, eles estão lá; é importante, porém, lembrar que é do Hulk que estamos falando é o personagem é isso: destruição, barulho e raiva. Muita raiva. IMDb