Homem de Ferro 2 (2010)

Em 2008, eu escrevia um texto sobre Homem de Ferro e estava impressionado com o rumo que os filmes da Marvel havia tomado com o filme de Jon Favreau. Era um projeto arriscado já que o personagem era pouco conhecido em relação aos outros da editora. Porém o filme funcionou muito bem, arrastou multidões, ergueu a carreira de Robert Downey Jr. em um ótimo desempenho do milionário Tony Stark. Passando-se dois anos após o primeiro filme, Jon Favreau reprisa a direção na nova franquia. É notável que a Marvel deu mais liberdade ao diretor e mais verba, mas algumas horas após a sessão de Homem de Ferro 2 são o suficiente para o filme sair da cabeça das pessoas. As idéias se organizam para a conclusão que esta sequência é uma pura enganação. Outro filme de super herói que entra para a lista de “Mesmas coisas de sempre”.

O que esperávamos que Homem de Ferro 2? Com o fim do primeiro tendo Tony Stark anunciando ser o dono e controlador da armadura o que se podia imaginar era uma exploração maior entre Tony Stark VS Governo, Homem de ferro VS População e Tony Stark VS Homem de Ferro. Quando Jon Fravreau tem a chance de mostrar uma capacidade desconhecida de trabalhar em dramas ele frisa o lado humorístico, o problema é que ele faz isso em excesso voltando a ser enxergado como o diretor que fazia comédias sem muito sucesso. A questão é que o filme poderia facilmente ser o blockbuster do ano, e trata de tantas coisas desnecessárias que nos perguntamos porque Jon Fravreau fez um trabalho tão inferior ao primeiro filme se ele tinha tantas tramas ao seu redor para aproveitá-las como por exemplo a luta contra o alcoolismo?

Quando me lembro de Tony Stark lembro também do quanto os autores usaram o personagem lutando contra esse vício. O álcool é o verdadeiro vilão para ele que deve vencer primeiro o ego para depois erradicar tal vício. No filme Fravreau não leva o tema a sério, faz piada e até cenas estúpidas com a de Stark bêbado vestindo a armadura, talvez a cena funcionasse noutro cenário. Nada que receba destaque ou atenção. A prioridade do diretor é mesmo a, digamos, “conversão” do egocêntrico para o humilde. O carisma de Robert Downey Jr. é tão grande que nem nos importamos sobre sua personalidade mesquinha.

Homem de Ferro 2 foi recheado por personagens novos, a maioria deles conhecidos pelas pessoas que acompanham as HQs do personagem. Ivan Vanko (Mickey Rourke) é um deles. Inicialmente temos um personagem interessante, mas chega a ser burrice dos roteiristas o fim que ele leva. O que deveria ser evitado para um personagem que poderia ser mais explorado futuramente. Entretanto parece que os responsáveis pelo script são pressionados pela produtora para colocar mais ação para ter mais e mais público. Bem, ação não falta, mas a montagem é tão porca que em cenas de voo, por exemplo, só é possível ver luzes em movimento e isso agride o filme até mesmo como produto, primordialmente, pois falta muito pra Homem de Ferro 2 ser considerado arte.

O filme vale a pena pela atuação de Downey Jr. que se entrega totalmente ao papel, mais até em relação ao primeiro. Ele fisga as pessoas de tal maneira que até deixamos de lado os defeitos do filme por um momento só para celebrar sua atuação. Os outros personagens estão ali só por estar, não apresentam nenhum interesse em fazer melhor, somente em desempenhar sua função mesmo. Não merecem nem ser comentados aqui. Fica a sensação de pessoas robotizadas, sem personalidade, profundidade ou realidade. Fica bem explícito o fato de que tudo ali foi feito por dinheiro e não por vontade, a dedicação que todos tinham no primeiro filme. Chega a ser triste que um personagem que começou tão bem nas telonas tenha decaído na qualidade.

E pra que um final daquele jeito? Com Mickey Rourke vivendo a mesma situação de Jeff Bridges no fim do primeiro filme? Ninguém pode cometer um erro duas vezes. Sábio foi Christopher Nolan que estudou todos os defeitos de Batman Begins e não os colocou em Batman – O Cavaleiro das Trevas. Jon Favreau não fez o dever de casa e talvez precise ter uma conversa com Nolan pra aprender a fazer sequências de qualidade. IMDb