Os melhores filmes de 2012

Primeiro dia do ano. E aqui os melhores filmes que vi durante 2012. Alguns não foram vistos a tempo (A Aventuras de Pi, O Impossível e Habemus Papam), mas que poderão ganhar destaques logo mais no Tulipa de Ouro.

O Abrigo (DVD), de Jeff Nichols

O Abrigo (DVD), de Jeff Nichols

09

Argo, de Ben Affleck

08

O Espião Que Sabia Demais, de Tomas Alfredson

07

Eu Receberia As Piores Notícias Dos Seus Lindos Lábios, de Beto Brant e Renato Ciasca

06

Moonrise Kingdom, de Wes Anderson

05

O Artista , de Michel Hazanavicius

04

Shame , de Steve Mcqueen

03

O Homem Da Máfia , de Andrew Dominik

02

Drive, de Nicolas Winding Refn

A Separação, de Asghar Farhadi

A Separação, de Asghar Farhadi

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Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)*

*texto com pequenos spoilers, então se não viu o filme já está avisado 🙂

Os Pecados

É delicado falar de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge se não for elogiá-lo. Os cegos defensores fervorosos do filme e do diretor logo atacam se se atrever a fazê-lo. Terminada a sessão do terceiro filme e o que encerra uma jornada do herói, saí do cinema mais decepcionado do que satisfeito.

Decerto, alguns (poucos, porém significativos) momentos do longa são satisfatórios. O ritmo pontua um defeito por oscilar entre o empolgante e irritante. Tudo é quebrado rapidamente e repentinamente e a montagem que sempre foi característica forte dos filmes anteriores apresentando um poder gigantesco no segundo filme principalmente, aqui é cansativa, com excessos de flashbacks de cenas tão óbvias que além de tudo acompanham o diálogo redundante dos personagens.

Aliás, o roteiro faz questão de jogar ali um momento Sherlock Holmes em que tudo é explicadinho numa cena no final. Precisava mesmo de explicação pra qualquer coisa? Nolan acha que sim e faz de um tudo para não deixar ninguém com a sensação de estar perdido; sensação inicial inevitável pelo tanto de caras novas adicionadas.

Os erros do roteiro vão além e subestimam demais a inteligência do espectador. Ingênuo aquele que abraça a reviravolta ridícula da personagem de Marion Cotillard, que apresenta certamente o maior pecado de todos os filmes. O triste é que a personagem de Cotillard torna-se muito importante pra trama quando poderia simplesmente não existir nesse filme. Francamente, dá vergonha a sua atuação, prejudicada demais pelo mau desenvolvimento de sua personagem no roteiro. A personagem de Cotillard é tão incopetente que atrapalha até o vilão Bane pelo excesso de vínculo sentimentalista.

Nolan erra por excessos. Exagera com um melodrama barato já tão bem apresentado em Batman Begins. Exagera nos personagens novos e dá pouco espaço aos já existentes. Afinal, por que não explorar mais os coadjuvantes veteranos? Erra em querer voltar tanto ao inicio pra justificar um fim. Um erro tão bobo de roteiro que tantas trilogias já cometeram. Chega a ser engraçado que para um filme que se declara ser o último acabe criando tantas novas tramas e relações. Relações pouco interessantes, por sinal.

Querer explicar demais foi adotado no antecessor do cineasta, A Origem e o diretor tropeça nos mesmos erros. O problema é que pouca gente quer enxergar isso. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge já era visto com uma obra grandiosa a altura de Batman – O Cavaleiro das Trevas. Endeusar Christopher Nolan parece estar como novo mandamento do cinéfilo cult moderno. Esse endeusamento cegou completamente grande parte de tietes do diretor. Não dá para fechar os olhos à tanta pisada na bola. Grandes furadas no roteiro e seu alto grau de previsibilidade.

Não gostaria de comentar sobre qualquer aspecto sonoro pois peguei uma sala com sistema de som terrível então fico devendo falar sobre até rever. É bom deixar apenas uma opinão sobre a trilha que cabe no próximo tópico, mas fica perdida numa trama empolga aqui e ali e não chega ao que foi a trilha sufocante e tensa de O Cavaleiro das Trevas.

As Virtudes

Claro que nem só pecados compõem o filme.  Mesmo que a decepção insista, o filme encerra a trilogia de cabeça erguida. Ok, tanto sofrimento para Bruce Wayne é desnecessário a essa altura do campeonato. Acontece e temos que aturar essa langa estadia do personagem na prisão enquanto Bane fica livre pra aprontar seus atos terroristas. Bane por sinal numa retratação perfeita de Tom Hardy. A máscara do personagem não limita sua atuação, o trabalho na voz do ator é fantástico, além de um olhar tão perturbador que Hardy faz tão bem. As motivações sentimentais do vilão expostas no final o restringem mas não o comprometem tanto.

No meio de todo esse cenário a Mulher-Gato de Anne Hathaway em nada decepciona. Ótima! Bem verdade que não supera a de Michelle Pfeiffer, mas para que insistir nessa questão se os Batmans do Burton são tão diferentes? Só é preciso reconhecer o quanto é ótimo vê-la quando divide cena com o Batman, até os diálogos de humor piegas funcionam bem nessas horas. Michael Caine aparece tão pouco e sempre chorando, uma boa atuação, porém. Nolan não deixou muito espaço para Caine, Oldman ou Freeman. Este último completamente ofuscado. E Oldman ofuscado pelo personagem novo do Joseph Gordon-Levitt.

O momento do caos em Gotham é onde mais se sente falta do Coringa ou de algumas satisfação de para onde o personagem foi. Se Nolan pensasse em voltar com o personagem com outro ator ofenderia o ego de muitos de seus fãs, aqueles fãs céticos diante do potencial do Coringa de Heath Leadger quando o ator foi anunciado.

Os julgamentos ordenados pelo Dr. Crane, o Espantalho (Cillian Murphy), me incomodaram no início, mas até compreendi depois a boa intenção de Nolan. Do momento que o caos inicia até a volta absurda de Bruce o filme é demais. Grandes cenas de efeitos especiais (excelentes, realistas e bem executadas como sempre) não vão fazer deixar de lado grandes bobagens que Christopher Nolan e o irmão Jonathan Nolan fizeram questão de não deixar de lado.

Entre seus tantos problemas, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge encontra ainda força e encerra uma trilogia com dignidade. A cena final arrepia mais por motivos de encerrar, enfim, uma tão bem sucedida jornada do herói das trevas. Queria sair do cinema tão empolgado, chocado e feliz quanto saí da sessão de Batman – O Cavaleiro das Trevas onde minha única decepção foi a morte de Heath Leadger depois de uma figura tão brilhantemente construída. Muita coisa poderia ser diferente, mas se tanta gente se satisfez com pouco, eu recomendo um revisão mais parcial. IMDb

Comentando os cartazes da semana #2

Semana com muitos pôsters como de costume, muita porcaria, pouca coisa boa mas nada de uau. Começo com o cartaz que não induz ninguém a ver o filme: Antiviral. Aliás nem sei bem porque selecionei esse cartaz; sobre o filme não sei nada, nem fiquei interessado em saber, obrigado. For Ellen é o cartaz indie da semana. Mesmo sendo uma arte que qualquer hipster com um instagram ao alcance faria, a composição é bem bonita. Além do mais tem Paul Dano, queridos e quem está com saudades ele também apareceu essa semana no cartaz de Ruby Sparks que não está aqui na seleção por ser uma arte vergonhosa demais, mas claro que quero todo mundo indo ver porque é a dupla de Pequena Mis Sunshine quem dirige.

Chega a arder os olhos de feio esse cartaz de Liberal Arts. Eu realmente não iria colocar na seleção, mas explico. Dou 3 motivos: Elizabeth Olsen, Allison Janney e Richard Jenkins. Além de Zac Efron que tem evoluído bastante de uns anos pra cá. O filme é dirigido, escrito e protagonizado pelo Ted de How I Met Your Mother, mesmo assim fico na fila de quem quer ver. Clint Eastwood de volta às telas. Gran Torino não foi seu último como foi dito. Em Trouble With The Curve ele não se dirige, o que me dá um puta alívio, já que o último filme realmente bom do Uncle Eastwood foi Gran Torino mesmo e lá se vão 4 anos. Provavelmente estaremos vendo um filme bem parecido com os dirigidos por Clint, já que quem assume Trouble With The Curve é Robert Lorenz, grande parceiro que produz filmes de Eastwood desde Dívida de Sangue (tem mais do cara aqui), ou seja, o alívio não é tão grande assim. Já tem trailer, aliás. Continuar a ler

Comentando os cartazes da semana

Django Livre ganha um poster quase que idêntico ao anterior com exceção do nome do elenco estampado na arte. Bem bolada arte de Os Mercenários 2 fazendo óbvia sátira à A Última Ceia de Da Vinci com Stallone no centro. A ideia é ótima, a arte que não é lá essas coisas. Só faz ter a certeza que os caras querem que o filme não seja levado a sério mesmo, o que não é um problema, aliás. Cartaz simples e comum de Os Infratores (do mesmo diretor de A Estrada) destacando o trio principal: Shia LaBeouf, Tom Hardy, Jassica Chastain esses últimos com excelente fase em suas carreiras. LaBeouf atou recentemente no clipe musical da banda Sigor Rós, Fjögur Píanó, onde está simplesmente excelente. E Hardy ótimo na sua composição do vilão Bane. Semana com mais um cartaz de Ted também. Você só precisa ler isso no poster e a carinha do ursinho e pronto. O mais bonito da semana foi o de Nobody Walks. É o típico cartaz de dramédia índie e o elenco têm grandes personalidades da TV: John Krasinski (de The Office) e Rosemarie Dewitt (United States of Tara e Mad Men) além de ser roteirizado por ninguém menos que Lena Dunham, a Hannah de Girls que também criou a série. Também teve cartaz de Atividade Paranormal 4, quase idêntico aos dos demais filmes. Afinal, pra que um quarto filme quando nem o segundo era necessário? Pra fechar deixei outro cartaz de Savages, certamente, com os piores cartazes da temporada. Todos eles pouco originais (vide o que é idêntico ao cartaz de Babel). Eis arte russa cafona.

Até semana que vem, ou não.

fonte: IMP Awards, corre lá que tem mais. 😉

Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios (2012)

Maravilhoso presenciar na grande tela filmes como esse. Luxúria, amor e pecados constantemente presente nos lindos lábios de Camila Pitanga. É evidente que quase todo espectador teve a constante impressão de está assistindo vários monólogos filmados de tão teatral que parece ser. Isso não incomoda, ao invés disso, cria força para as atuações e para o roteiro. É a característica mais marcante do filme.

O que quebra esse ligeiro desconforto e a tamanha força da fotografia, em todos os momentos meticulosamente enquadradas de forma perfeita. Poderia diminuir a quantidade de traveling da câmera aqui e ali, detalhe insignificante comparado ao roteiro que encenado pelo elenco torna os diálogos tão naturais e belos.

O elenco todo é extremamente primoroso, mas é fácil apontar que está melhor em cena. Camila Pitanga se entrega ao papel. Vê-la como Lavínia é um presente para qualquer fã de cinema. Personagem difícil e ousada, Pitanga destrói. Cala várias bocas quando entrega uma da melhores atuações do ano. Gero Camilo é impecável em todos os poucos momentos que aparece, introduzindo seus monólogos onde destila suas desilusões amorosas em poesia. Poesia. Pura poesia. O filme inteiro.

Seu único pecado porém é a montagem. A forma que a trama é levada lembra Closer – Perto Demais (2004), inclusive uma cena em especial é idêntica a uma protagonizada por Natalie Portman e Jude Law. Rodado de forma não linear, o fato de não indicar o tempo ao espectador não é problema para compreensão do filme, mas o método é usado exacerbadamente  e é o único fator que chega a incomodar.

O que pode ser visto como falha para uns, noutra perspectiva pode ser visto como uma abordagem artística necessária para a trama. O que acaba sendo mesmo, confesso. Mas é preciso cuidado para não errar a mão. Roteiro, fotografia, direção e principalmente atuações foram todos resultado de dosagens exatas. IMDb

Homem-aranha, 10 anos no cinema: Uma declaração de amor

Poderia ser um dia comum na escola aquela manhã, mas minha turma iria ter uma experiência fora do cotidiano naquele dia. Uma experiência que para mim, querendo ou não, mudou toda a minha percepção e paixão pelo cinema. Naquela época, ir pro cinema era coisa rara pra mim já que meus pais nunca me levaram para ver um filme, sempre era minha tia que fazia isso nos filmes que eu não fazia questão de ver.

Foi num cineclube da escola que tive minha primeira experiência de amor pelo cinema e por um personagem. A tela era pequena mas a emoção de um homem de colante vermelho e azul se balançando entre prédios, se segurando numa teia e escalando paredes era extraordinário. Nem fazia ideia que Homem-aranha tinha sido filmado naquele ano. Eu, com meus 9 anos de idade só pensava em brincar com meus bonecos do Batman. Foi aí que o amor pelo teioso começou.

Eu já conhecia o personagem pelos desenhos, não tem como comparar quando são atores de verdade que estão em cena e não desenhos animados. A questão é que Peter Parker me cativou pela timidez e por escolher um caminho da responsabilidade por causa de seus poderes. Cada momento era extraordinário. Não deixava que ninguém me interrompesse, meus olhos quase não piscavam, estava boquiaberto quase que o tempo todo quando não estava sorrindo. Continuar a ler

Thor (2011)

Thor é talvez o filme mais diferente da Marvel, mas nem por isso o espectador vai ser pego de surpresa. É mais uma aquela receita de bolo dos filmes dos heróis da editora. O bolo que todo mundo gosta. No final das contas, porém acabou me agradando mais do que o esperado, mas ainda deixa a impressão de um filme feito às pressas para complementar os membros que formarão Os Vingadores posteriormente, mesmo que seja cheio de detalhes e referências aos fãs. Referências que vão deixar os fãs mais atentos espumando pela boca.

Sendo muito detalhista nos cenários e nos figurinos, Thor narra o vaidoso primogênito do deus Odin que assumirá o trono, mas só pensa em guerra, poder e se vangloria do potencial do mjolnir. Essas suas manias de grandezas acabaram sendo o seu calcanhar de Aquiles e resulta em seu banimento de Asgard. Foi mais interessante os roteiristas usarem o pseudônimo Donald Blake como apenas um nome. Thor não precisa se prolongar muito na história, é enxuto o bastante para agradar maiorias e está ao lado de Homem de Ferro como o melhor filme dos membros d’Os Vingadores.

O elenco de peso conta com Chris Hemsworth (Star Trek) impagável na pele do personagem título, observe como é interessante vê-lo adaptando-se aos costumes da terra. Tom Tiddleston (Meia-noite em Paris) interpreta o meio-irmão malígno Loki e carrega a essência do personagem muito bem: o deus covarde e invejoso que é também inseguro e por isso acaba caindo no desgosto de alguns. Mas é isso que é Loki, o que acumula fracassos diante do irmão e nem por isso deixa de ser interessante ver o personagem na tela. Natalie Portman (Cisne Negro) está bem engraçadinha e só, até porque é uma personagem que não exige muito dela.

De resto, é bom frisar a trilha sonora, a direção de arte linda e detalhista junto aos figurinos que deixam Asgard um lugar que todos querem conhecer. Os encantos de Thor são muitos, a maioria, são visuais e é o que acaba impressionando mais na projeção. O filme acaba sendo o mais importante para a existência de Os Vingadores, pois é o filme do deus do trovão que introduz o vilão que os heróis irão infrentar juntos. No fim, os fãs estarão bem satisfeitos. IMDb